A blogosfera em contato com o mundo (do jornalismo)
É uma novela mexicana das boas essa discussão “blogueiro é jornalista? jornalista é blogueiro?”. Acabo de ler um bom post no martelada sobre uma declaração do sindicato de jornalistas do Rio Grande do Sul cuja moral é a seguinte: o blog é informativo? Então desse do banquinho porque só jornalista pode! Para não cometer injustiças enchendo a cabeça de quem está lendo esse post com minhas pré-concepções já trilhadas nessa discussão, segue abaixo a declaração de José Nunes, presidente do sindicato em questão (os grifos são do martelada):
O fenômeno dos blogs trouxe à tona uma eterna discussão sobre a liberdade de expressão de cada um, e os limites da atividade jornalística. Sendo o blog, em essência, um texto pessoal sobre qualquer assunto, muitas vezes a própria vida de quem escreve, ele permanece circunscrito às liberdades individuais previstas em lei. Um blog jornalístico evidentemente precisa ser assinado por um jornalista, pois passa a ter um caráter de veículo, tal como um noticiário de rádio ou mídia impressa. Ou seja, muitos profissionais passaram a se utilizar dessa ferramenta até como forma de publicar as informações que apuram, e que no local de trabalho não são aproveitadas, ou não interessam. E há quem tenha sido alçado à fama repentina dentro da possibilidade tecnológica de gerir o próprio canal de comunicação – sendo que a imensa maioria dos blogs continua como diário pessoal, postagem de fotos, links para assuntos encontrados na própria web, distribuição de arquivos diversos, com visitação restrita ao círculo de amigos. Coincidentemente, os blogs de maior destaque, uma pequena parte da blogosfera, costumam trazer apuração jornalística, ‘furando’ a mídia tradicional com novidade ou provocações, ou são escritos por aficcionados em determinado assunto (cinema, música, quadrinhos, etc), naturalmente trazendo um volume de informação justamente pela afinidade do autor com o tema. Material jornalístico, regularmente assinado por jornalista, independente do meio em si, é a posição do Sindicato. Concluímos então que todo os jornalistas podem ser sim um blogueiro, mas nem todo blogueiro é um jornalista.
Vale a pena ler as considerações que são feitas no martelada, até porque José Nunes enviou essa declaração para ele em resposta de uma dúvida sobre uma palestra feita na Unisinos. Cada coisa no seu contexto. O que me chamou a atenção foi a “puxada de orelha” foi o pitaco sobre a posição dos pesquisadores da área. Presunçosamente me enquadrei nessa. Segue o trecho em que esse assunto é abordado (agora com grifo meu):
os pesquisadores da área estão tentando desde o surgimento dos blogs determinar a linha que divide o jornalismo da simples produção de informação. Até hoje, ninguém conseguiu fazer isso de maneira sólida, porque esse tipo de veículo costuma misturar formatos em graus que variam de blog para blog. No caso de se aplicar essa proposta, quem vai definir quais blogs tem caráter jornalístico, quais fazem jornalismo “às vezes” e quais não devem nada ao Sindicato?
De fato os estudos tendem para essa linha. O que é blog e o que é jornalismo? Em minha pesquisa atual mesmo assumi essa postura. Mas ao menos para mim a grande questão não é dissecar o blog (como linguagem!) e dizer o que ele é o que ele não é. O máximo que dá pra fazer é dizer o que ele pode ser e o que ele não pode ser. É uma virtualidade. A grande questão é, então, primeiro entender os deslocamentos do jornalismo em função do blog (novamente, como linguagem), e segundo, posicionar criticamente o jornalismo nesse diagrama.
O pressuposto do qual ao menos eu (com o alvará do meu orientador) parto é de que há imbricamentos entre o jornalismo e o blog. E aqui já surge a necessidade de trocar o termo blog por blogosfera, de forma que possibilite entender as duas coisas como campos.
Na minha primeira pesquisa me dediquei a entender a posição do blog em relação com o jornalismo. Ou seja, quando as duas coisas se tocam o que muda para o blog? Agora inverto a questão: quando as duas coisas se tocam o que muda para o jornalismo? São zonas de conflito no que diz respeito a linguagem e informação. Há ainda por trás uma série de problemáticas que pretendo desenvolver ainda durante essa longa estrada de discussão, como por exemplo a questão do trabalho empregado na produção de um formato e de outro, mas isso é assunto (pelo menos para mim) para daqui alguns anos…






