A Internet e seus meio intelectuais, meio de esquerda
Malini me passou um texto muito engraçado sobre o comportamento de uma galera “meio intelectual, meio de esquerda” que gosta de frequentar bares meio ruins. Se o bar meio ruim se tornar um bar muito conhecido pelo pessoal meio-intelectual-meio-de-esquerda, recheado de universitárias mais ou menos gostosas pode vir, enfim, a se tornar um bar pop, cheio de playboyzinho do triângulo (porque na lama* não tem playboy). Daí não dá! Tem que procurar outro bar meio ruim para chamar a nossa galera meio-intelectual-meio-de-esquerda para beber (mata da praia? jucutuquara?).
Pois é. Descobri hoje que nós, os meio-intelectuais-meio-de-esquerda, somos uma classe que já ultrapassou as barreiras físicas da realidade. Quando a grana tá curta pra pedir uma Brahma pro Sorriso (porque a Bohêmia é muito cara! quase uns 20 centavos de diferença e não temos tanta grana assim né!) o lance é dar vazão ao ócio criativo em redes sociais. A-há! Mas não pode ser qualquer rede social! Tem que ser uma rede social… meio ruim! Porque é só nas redes sociais nas quais não se conhece o número máximo de amigos que o perfil comporta que se acha a galera meio-intelectual-meio-de-esquerda que tá sem grana pra tomar Salinas e fica em casa baixando filme do Wood Allen pela net de 1 Mbps (eu até baixaria “Quem quer ser um milionário”, mas depois de oito óscars fica complicado!!).
Mas nós somos na verdade primos bastardos dos meio-intelectuais-meio-de-esquerda dos bares meio ruins. Porque eu sei que essa galera odeia inglês. Falar francês é mais bonito. Mas não ligamos pra isso! Por acaso alguma grande invenção da informática veio da França? Por isso preferimos ser chamados de “early-adopters“. No português xumbrega ficaria “adeptos às novidades”. Fala sério! Parece tradução do CM. Pensando bem, não sou um early-adopter… nem cometi um twittercídio ainda!!
Nos tempos de hoje é cada vez mais difícil ser um meio-intelectual-meio-de-esquerda ou qualquer outro meio-alguma-coisa. São tantas tendências a se seguir que eu me perco. Ainda está em tempo. Vou cometer um novo orkuticídio (porque nunca é demais), um twittercídio (porque nunca é tarde) e buscar uma galera antenada nas novidades que ninguém conhece. Mais tarde vou pra Lama procurar saber com a galera qual o novo bar meio ruim que sempre existiu, mas ninguém nunca conheceu. Na rede tem que ser um cara ultra advanced, no bar um sujeito retro. Eu heim…
*- Rua da Lama – Ponto de embriaguez coletiva dos punks, metaleiros, pseudo-intelectuais e afins de Vitória que acham que o Triângulo das Bermudas é um lugar onde só existem play’s e play’s (e os odeiam). É união de todas as classes, onde você meio-rico! tem a oportunidade de pegar seu golf preto rebaixado, com faróis azuis de 200w e passar na rua principal tocando o som da moda (trance, régue, essas porcarias) e se mostrar pra gatinhas Gatas Aprendizes de Prostituta ou os gatinhos… ! (Desciclopédia)







se não fosse o “desciclopédia” no final, eu ia dizer que “os gatinhos” pegou mal..
Responder este comentário