Ciranda de homicídios do Twitter: blogs, RSS… quem é o próximo?
Tenho reparado que a onda do momento é acusar o Twitter de assassino dos blogs, mas cá estou eu a escrever nesse blog. Não sou esquizofrênico (ainda), nem paranóico (ainda). Pessoas entram aqui, lêem (nem sempre), deixam suas impressões (quase nunca). Não sei qual o conceito de morte essas pessoas usam, mas certamente é algum conceito novo que eu ainda não tive a oportunidade de ter contato. Vamos lá que dizer que um meio mata outro é história pra boi dormir desde 1900 e bolinha, mas tem algo mais frenético acontecendo. Parece que as pessoas desistiram chamar novos meios de comunicação de assassinos; agora eles são serial killers: é preciso matar em série, sem piedade. Tomei conhecimento por meio do GJOL de um texto que decreta a morte do RSS. O assassino, obviamente, é o “Twitter, o Implacável”:
Não acesso o Google Reader há meses. O Google Reader é o leitor de RSS dominante. Já fiz as contas: Twitter 365 Google Reader 0. Todos meus feeds RSS estão no Google Reader e eu não vou mais lá. Uma vez que todos meus feeds estão no Google Reader e eu não vou mais lá, eu não uso mais RSS.
Seria como dizer: “o amor é cego. Deus é amor. Ray Charles era cego. Logo, Ray Charles era Deus!”. Eu já faço errado dando ouvidos e repercutindo esse pensamento, ainda que seja para fazer uma contraposição e, de certa forma, ridicularizá-lo. Mas para quem entende minimamente como funciona a rede sabe que está fazendo besteira… Agora, já que a besteira está feita, deixe-me argumentar melhor minha contraposição.
Porque o Twitter não mata o RSS? Ainda que muitas pessoas estejam utilizando menos o RSS (ou mesmo deixando de utilizar), é incontestável que as duas ferramentas funcionam de forma diferenciada. A leitura do Twitter depende do fluxo, ou seja, um bom twitteiro deve estar habituado a ver textos em movimento. Um novo twitt a cada segundo. Já o RSS funciona na lógica de banco de dados: as informações se acumulam e é possível acessá-la quando houver disponibilidade para tal. Nesse ponto posso ser questionado: mas o Twitter também gera um banco de dados, basta fazer uma busca. Isso é certo, mas as informações não estão dispostas como um arquivo (tal qual o RSS, que distribui em pastas, tags, categorias…). O Twitter dispõe as informações na lógica de “entulho”. É possível através das hashtags filtrar o conteúdo, mas esse filtro funciona de forma muito mais precária que a organização sistemática do RSS.
Quando o serial killer Twitter matar mais alguém eu vou estar aqui para rejeitar o atestado de óbito…
UPDATE: O Palácios (do GJOL) disse que encontrou o referido texto pelo twitter. Eu achei pelo RSS.







Aos poucos a internet foi condicionando a aderirmos mais e mais serviços. Ter só MSN não bastava, você precisava de um Orkut. Depois uma conta no Youtube ia bem para comentar nos videos. E então ter um blog era cool, e enfim… O que o twitter fez é diminuir um pouco essa densidade de serviços. E mesmo que role todo aquele romantismo com as tecnologias mais tradicionais, é fato que o RSS perde espaço para o “entulho”.
Bom post e um
Forte Abraço!
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