Xô, Azeredo!

2009 May 28
postado por Thalles Waichert

Conversava dia desses com Gabriel sobre temas diversos. Esbarramos, acidentalmente, na questão do potencial libertário e revolucionário da Internet e, consequentemente, na lei azeda do Azeredo. Gabriel discorria sobre a falta de um aporte tátil de muitas teorias da cibercultura, tal como Pierre Lévy, que fica no futurologismo. Esse tipo de pensamento enxerga a Internet como potência, diria Gabriel, mas ser potência não basta. Por minha vez, eu dizia que o código e a automatização do código aliena as pessoas tanto quanto a técnica alienou na modernidade (e continua alienando). Aqui Benjamin cai bem. Ele viu, assim como nós, o potencial revolucionário de uma tencnologia. Nós presenciamos Faustão e Gugu, Jonas Brothers e Latino; às vezes parece que Benjamin não se matou por causa da guerra… ele era visionário demais pra isso.

Disse a Gabriel: “olha, se essa lei for aprovada e a galera se calar, daí eu tô certo. O código e a automatização do código alienou as pessoas”. Ele me respondeu: “daí eu largo isso e vou estudar folkcomunicação!”. Brincadeiras a parte, tem algo a se ponderar nesse caso. Aqui é Barabási que vai como uma luva:

O código pode moldar o comportamento e até influenciar a arquitetura. Porém ele não é determinante. [...] A arquitetura da web é produto do equilíbrio de duas importantes camadas: o código e as ações coletivas humanas, que usam o código para sua vantagem. (Tradução livre: Linked, p. 174)

Tem mais. Sobre a possibilidade de regulamentação e limitação da liberdade na rede:

Regulamentações vão e vem, mas a topologia e as leis naturais fundamentais que regem a rede são invariáveis. Enquanto continuarmos delegando aos indivíduos a escolha para onde linkar, não teremos capacidade para alterar siginificativamente a topologia da Web e teremos que viver com as consequências. (Tradução livre: Linked, p. 175).

Se Barabási estiver certo, e eu acredito que esteja, Azeredo e seus amigos bancários que se segurem. Além disso, gosto da importância que Barabási confere ao link: o hipertexto é a peça fundamental da Web. Através das escolhas e comportamentos dos links, podemos compreender melhor os indivíduos na web.

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