Entrevista de Saramago ao Globo
Depois me perguntam porque eu gosto tanto de Saramago. Não é só pelo texto, mas pelas idéias. É crítico e solta pedradas pra todos os lados, mas com muita elegância; é mente aberta, mesmo não sendo mais um garotão. Por falar nisso, tem muito garotão que precisaria de bater um papo com o tio Saramago, tanto pra abrir a cabeça quanto para fechar um pouco.
Segue alguns trechos da entrevista que realmente gostei muito:
O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?
SARAMAGO: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.
Firme e forte, de degrau em degrau! Ou alguém aqui dá boa tarde ao invés de “coé”?
O senhor considera a internet um espaço democrático e verdadeiramente livre?
SARAMAGO: Nada há que seja verdadeiramente livre nem suficientemente democrático. Não tenhamos ilusões, a internet não veio para salvar o mundo.
Frase essencial para começar a estudar cibercultura, especialmente Pierre Lévy…
O jornalismo contemporâneo teria se tornado esse mar de obviedades? Existiria alguma pergunta que o senhor espere (e gostaria que) fosse feita, mas que nunca foi feita?
SARAMAGO: Creio que me fizeram todas as perguntas possíveis. Eu próprio, se fosse jornalista, não saberia o que perguntar-me. O mal está nas inúmeras entrevistas que tenho dado. Em todo o caso, tenho o cuidado de responder seriamente ao que se me pergunta, o que me dá o direito de protestar contra a frivolidade de certos jornalistas a quem só interessa o escândalo ou a polêmica gratuita.
Gostou? A entrevista na íntegra pode ser lida no Prosa Online.







Thalles, você sabia que o Saramago é gago? Olha isso:
http://twitter.com/stutteringmedia/statuses/1607118748
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