O que se passa nos blogs? Essa questão é mesmo válida?

2009 July 29
postado por Thalles Waichert

Creio que encontrei algumas questões em torno das quais orbitam minha monografia. Hoje pela tarde conversava com Flávia e Gabriel – essas conversas são sempre muito produtivas, ainda que possuam uma dose de silêncio além do normal pela minha parte -, disse a eles que não consigo definir ao certo sobre o que é minha monografia. Blogs? Linguagem blogueira? Não é bem ao certo sobre isso, pois a pergunta que se procede é “você fez análise do discurso?”. Não, eu passei longe disso.

Em um post anterior dizia que uso o termo “linguagem da blogosfera” por falta de um termo melhor. Fiz uma análise sobre o que se passa nos blogs, o que há ali, se aquilo serve para alguém e como serve. Acho que a pergunta mais central talvez seria “há… ?”. A reticência não é pra parecer chique ou por falta do que colocar. É simplesemente porque se trata de uma série de perguntas que podem de um lado parecer estruturalistas demais, muito ligadas a um pensamento arborescente: há comunicação? há expressão? há informação? E aí descemos: em que nível? de que forma? com que intenção? Ao mesmo tempo pode parecer muito pós-modas (pós-moderno, pós-estruturalista, pós-humano): há o que? há para quem? E daí em diante…

Mas não se trata de ser pós-moda ou estruturalista. Se fosse isso eu teria feito análise do discurso e pronto. Queria alguma coisa que respondesse questões como “há unidade mínima?” – novamente o “há…”: apostei para princípio de estudo que há sim unidade mínima e esta seria o post. Mas não bastava. E daí comecei a ficar molar-molecular demais para meu gosto: o que compõe o post? Quando se fiz a pergunta com o verbo “compor” sabia que poderia cair numa cilada. Sabia que no final precisaria deixar um fio solto, uma linha para desfiar tudo; era preciso sucitar um efeito dominó no final de tudo.

Cheguei então a minha fórmula: leis de combinação procedidas por movimentos de desterritorialização e reterritorialização da “linguagem blogueira” (e esse termo continua me incomodando). Trata-se de algo simples: identifiquei, a principio, quatro formas: filtro, diário, informação e opinião. Poderia-se dizer que foi uma escolha arbitrária para simplificar. Cada uma dessas formas (e aqui talvez me remeta a Foucault, mas prefiro que isso fique como impressão pessoal: formas de saber, forças de poder…) são necessariamente desterritorializadas. O filtro, talvez (porque não foi essa minha análise), oriundo do sampleamento, da colagem: uma prática que tem seus fundamentos na house music e na cultura hacker – aqui vale um aprofundamento mais pra frente. O diário, possivelmente, herdado do confessionário – e aqui Malini tem boas teorias em desenvolvimento baseado em Foucault: incitação dos discursos, fazer falar (cobrem um post dele sobre isso). A informação, uma derivação da notícia. A opinião, uma derivação da opinião pública? Bom, são chutes. Não é isso meu estudo, mas pode vir a sê-lo.

O fato é que me dei conta de uma coisa: queria fazer algo diferente, mas acabei falando o que todos esperavam que eu falasse: linguagem, diário, filtro, informação, opinião… devires-linguagem. Talvez o mais inventivo fora ter dito que toda combinação se torna possível a medida que se ressalta a multiplicidade blogueira, mas só fiz eco a Deleuze. Fiz o mais simples decalque espaço-temporal metodologicamente: espacial porque limitei ao idioma português, temporal porque determinei as quatro formas. Pior: há, na base de todo esse pensamento, uma grande raiz de árvore. O blog é um epicentro expressivo, através dele se passam as singularidades, as multiplicidades. Está aí o meu erro. Para constatar basta olhar para os lados: que forma ou que devir (não estou certo quanto a isso ainda) faz surgir os 140 caracteres do Twitter, a dinâmica do Facebook, do delicious e etc?

Comentei no blog da Giseleh: o blog se revela uma capa de gordura, está entre as coisas, não mais é referência, mas surge quando não se solicita. Bom, tudo isso trata-se de uma auto-crítica ao trabalho recém-finalizado, mas também de apontamentos para futuros estudos.

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2 Comentários deixe o seu →
  1. 2009 July 29

    Nossa que caos, Thalles

    Não precisa ter no TCC grandes pretensões filosóficas. Há muito tempo para isso. O seu trabalho é sobre o desenvolvimento das linguagens blogueiras. É isso o mais importante, depois, a ficha vai caindo…

    Eita,

    Malini

    Responder este comentário

  2. 2009 July 29

    vai pro mestrado logo, darling.

    Responder este comentário

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