Fórum de Mídia Livre: contra as máquinas de apropriação da vida
Definindo uma desconferência/conferência livre/debate livre/formas pós-modernas de compor mesas de disucssão em eventos: tudo começa pelo meio e caminha, ora pro início, ora pro final. Ou seja, não tem aquela parte das perguntas logo após a palestra? É exatamente aí que começa a conferência livre da itinerância do Fórum de Mídia Livre.
Como toda sessão de perguntas você pode simplesmente ignorar aquilo que não te concerne para mais tarde prestar atenção no que lhe interessa sem perder o fio da meada. Palestras têm estrutura e, caso você não siga palavra a palavra, perde-se o raciocínio. Não é que não tenha linha de raciocínio em uma conferência livre; pelo contrário, há várias: são tantas linhas que há momentos em que é impossível não se perder. Mas basta ter um certo instinto felino… é impossível não se incomodar com pontas soltas. Daí agarre-se a ela e a siga. Com certeza ela levará a outras. Vou colocar aqui algumas das linhas que desfiei.
Júlio Valentin levantou algumas questões que me incomodaram, mas por fobia de microfone (eu vim da roça) resolvi deixar tudo pro post. Ele falava sobre apropriação de valor produzido em rede pelas grandes empresas digitais (Google, Facebook, Yahoo etc) e citou o caso do jornalismo cidadão promovido por grandes jornais, como O Globo. Pois bem, concordo com Júlio: há uma grande máquina de apropriação que já está em funcionamento há muito tempo. E nisso eu me lembro da metáfora de Matrix: nossa liberdade é uma farsa, pois nosso desejo produz energia para as máquinas. Acho que nunca a alegoria de Matrix (antes, talvez, a de Platão) esteve tão em voga. Mas o jornalismo cidadão é o caso mais falho e mais evidente do que é feito com perfeição por outras máquinas através de outros agenciamentos e dispositivos, assim como os agentes de preto da Matrix deixam claro que há um sistema a ser preservado.
Na sequência, algumas falas surgiram buscando entender essa dinâmica de apropriação da vida: por que minha produção no youtube, flickr, blog, email gera renda pro google, pro wordpress e etc, mas não gera para mim? Foi Fábio Malini quem respondeu a essa pergunta com mais precisão talvez: “precisamos pensar em uma economia em rede para além da mensuração de audiência. E aí, consequentemente, completo com a questão: por que quando lucro com meu blog tem que ser por taxa de clique ou visitação? Que outras formas são possíveis para produzir riqueza para além da audiência? Me lembro aqui de um post certa vez que li da Brambilla no qual ela contrapunha audiência quantitativa e qualitativa. A idéia é dizer o seguinte: eu quero leitor, não audiência; então como eu e meu leitor vamos produzir riqueza?
Bom, são alguns apontamentos que gostaria de trabalhar melhor no 2º Blogcamp/ES que vai rolar próxima semana, entre os dias 20 a 23 de Agosto. Caso se interesse, dê uma passada no site e faça sua inscrição.






