Desenhos, desejos e muitos nós

2009 September 18
postado por Thalles Waichert

Sei que devo muitos posts. Mas por um momento vou deixar essas dívidas de lado para falar de algumas linhas. Sempre acabo retomando algumas linhas. Blogueiro, ops, jornalista formado, me dedico agora a algumas itinerâncias. Estou envolvido com o projeto de oficinas de iniciação tecnológica do Omelete Marginal – o que me trouxe ao local de onde escrevo hoje, Cachoeiro do Itapemirim -, mas também envolvido na Caravana midilivrista do Lombarde, ops, Fábio Malini, o que por sua vez me levou a continuar em Cachoeiro por mais dois dias. Antes disso estive no Rio por conta da minha prova de mestrado lá na UFRJ (o resultado sai dia 29/09 e eu posto aqui). Antes ainda estive em São Mateus também envolvido com o Omelete Marginal. E Vitória, minha cidade-sede? Como fica? Fica de mudança: entre uma viagem e outra mudei de apartamento. Mea culpa feito. Fica mais compreensível a ausência de novos posts aqui. Gosto de trabalhar os textos, pensar cada detalhes e etc.

Mas algumas coisas ficam de todo esse movimento. São linhas, desenhos. Gosto de falar de conversas que tenho por aí. Numa dessas conversas o assunto foi o remapeamento de zonas, afetos, nomes, sons e etc. A palavra remapear já soa contraditória por si só. Não se mapeia uma cidade duas vezes, pois o segundo mapa será sempre diferente do primeiro. São novos mapas. Essas coisas me levam a mapear a estrada através de uma produção desejante; me fazem mapear uma cidade em outras zonas, organizar o espaço de uma forma que eu não estava habituado: andar feito louco. Mas principalmente me levam a fazer desenhos estranhos, cheio de pontas soltas por onde se pode começar e terminar qualquer coisa. Um devir? Não creio que chegue a tanto. Aposto na capacidade de se criar muitos de nós, mas isso não se trata de forma alguma de múltipla personalidade ou esquizofrenia (dependedo do conceito de esquizo, talvez, mas é melhor deixar isso de fora por ora).

O meu desenho parece um novelo de lã visto de vários ângulos; recortes de aproximações que dão a impressão de ora ver o novelo inteiro com todas suas pontas, ora parte dele com algumas ou nenhuma. Em um desses quadros (e isso se parece muito com uma colagem fotográfica) há três pontas: libido, afeto e uma terceira que não é possível identificar; apenas se sabe que ela possui uma cor diferente, gritante aos olhos e, talvez pela pincelada, talvez pela velocidade do obturador, ela é vibrante. Como tudo que vibra e grita, é irritante, mas desempenha sua função junto ao afeto e a libido. É preciso torná-los ligeiramente ásperos para não se anestesiar as faculdades sensoriais (olfato, audição, etc). Trata-se, pelo visto, de não deixar as pontas se desgastarem até virarem um só bolo sem forma. Sim, eu prefiro meu novelo de lã cheio de nós (muitos nós, muitos de nós) emaranhados a uma esfera lisa e brilhante. Resta então olhar os outros recortes da colagem, as outras pontas e dar um uso para isso tudo. Não enquadrar o desejo nos nós e pontas, nem as pontas e os nós nos desejos; mas fazer as curvas necessárias para puxar a linha do desejo até os nós.

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