Sobre mídias sociais: cansamos de conversar com a TV
Antes de qualquer coisa preciso dizer que é bom estar em atividade novamente. A satisfação se materializa quando paro um breve tempo para observar as estatísticas de acesso ao blog e constato que, em relação a novembro de 2009 (um mês muito turbulento na minha vida e, consquentemente, no blog), houve um aumento de 50% da visitação. Ou seja, um aumento de 50% em metade de um mês reflete um mudança, ao menos para mim.
Que grande mudança seria essa? O blog continua com a mesma linha, o mesmo layout, a mesma blogroll; acrescentei pouquíssimas assinaturas no meu leitor de feeds, alguns novos seguidores no Twitter – nada, enfim, que pudesse refletir numa alteração significativa do corpus produtivo desse blog.
Mas é que eu sou meio antiquado, romântico… não consigo ver a Internet como um conjunto de mecanismos e estratégias (SEO, ferramentas de massificação otimização do Twitter e etc) que seriam engrenagens constituintes do environment digital. Por sinal, um pequeno adendo: venho pensado em alguma palavra com a qual pudesse trabalhar a fim de me referir a “biodiversidade” da web; ou porque não a “biomultiplicidade” da web? Trabalhei nas Cartografias da Blogosfera com o termo “esfera”, mas creio que falta aí algo que remeta a vida…
Troquei ontem algum tempo que poderia ter dedicado a leituras ou estudos por uma conversa informal com um parceiro que, embora não esteja mais na blogosfera (que Google o tenha!), sempre esteve presente comigo nessas reflexões. Conversávamos sobre um dos principais erros das empresas de marketing que buscam aplicar o uso de social media para seus clientes: é preciso falar como pessoa, não como empresa. Uma das queixas de Gabriel Herkenhoff é a falta de pessoalidade na alimentação desses espaços. Dessa forma ferramentas que só são eficazes quando direcionadas especificamente da vida para a vida se transformam em estratégias frias e calculista; vira perda de tempo e dinheiro.
Para poder fechar essa breve divagação a respeito do uso de mídias socais em estratégias de marketing, vale ainda uma explanação sobre o que pretendo dizer com “ferramentas da vida para a vida”. Duas premissas se fazem necessárias para compreender tal proposta. Em primeiro lugar é preciso ter em mente um fato histórico-social a priori: nada disso que hoje é tratado como potencialmente lucrativo surgiu com uma proposta comercial. Os blogs, o orkut, o Twitter, o Flickr surgem, antes, como um mecanismo de vazão da produção biopolítica, ou seja, das forças que a vida empreende contra um poder que a submete a regimes de normalização e captura. Em outras palavras, as pessoas não recorrem aos blogs porque querem fazer sua fita na web, mas porque precisam contar uma história, desabafar alguma coisa, dar visibilidade a um tipo de produção que não interessa aos grandes olhos do mercado; ou mesmo permitir a produção de uma subjetividade que é reprimida pela sociedade e etc. Portanto, em primeira instância, essas ferramentas são pensadas como instrumentos de afeto.
Isso nos leva ao segundo ponto. Todo tido de captura desse aparelho produz um agenciamento de fuga. “Saco, mais um spamblog” pode ser a resposta de um blogueiro ao receber o comentário da empresa tal; ou ainda “odeio esses perfis robôs”, poderia reagir ainda o twitteiro que passa a seguir alguém e recebe autalizações automáticas e programadas. Caso a empresa não seja capaz de se posicionar enquanto pessoa aconselho bater em retirada. Todos já cansaram de falar com a TV e não ter respsota. Não cometemos, portanto, o mesmo erro com um público muito mais exigente. Para encerrar, faço aspas a alguém que sem querer deixa sair muita coisa: “é preciso viver um dia de cada vez”. Tomem essa frase e apliquem a cada contexto trabalhado no post.






