Archive for June 2010

Uma questão que vem sendo muito discutida entre usuários do Facebook é a exposição de privacidade. Tal problemática, como pontua o professor de direito da Universidade de Columbia, Eben Moglen, se estende para toda web. Ter status/reconhecimento na web é sinônimo, em muitos casos, de estar presente em diversas redes sociais com atuação frequente e ininterrupta. Atuar na web é, contudo, cada vez mais doar a si mesmo.

Aproveitando mais uma vez o café de ontem com Ana Brambilla. Falava com a jornalista sobre a minha reestruturação do blog e, ao explicar minha nova proposta eu afirmei: não vejo na web formas efetivas de separar o profissional do pessoal. As coisas acabam se mesclando em menor ou maior grau. Meu blog, portanto, quer trazer esse rosto multiforma à tona. Em outras palavras, meu blog é uma doação de mim (e aqui vale meter um asteristo para recuperar com uma discussão um pouco mais teórica daqui algum tempo) para os infinitos bancos de dados que podem ser acessados a qualquer momento de qualquer lugar.

Colocar fotos do meu passeio com Emily em Porto Alegre no Orkut e no Flickr é doar parte dessa experiência (aqui vale uma leitura em Benjamin e Huyssen) para o que Moglen chama de “polícia secreta da Internet”. Acompanhem a entrevista gentilmente enviada pela amiga e leitora Livia Cunha, do DeCoração Blog:

Folha – Somos nós que estamos nos expondo demais?
Eben Moglen -
Não creio. É perfeitamente razoável pensar que o capitalismo do século 21 se baseie na descoberta de uma nova matéria-prima – a informação sobre nossas vidas privadas. O objetivo de sites como o Google é a reorganização da publicidade para favorecer o consumo em estilo americano. Se você sabe o que as pessoas buscam, pode definir sua publicidade por isso. E ferramentas como redes sociais sabem tudo sobre oconsumidor.

As redes sociais espionam deliberadamente?
Sim, esse é seu negócio. A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos. É uma péssima troca para o usuário – degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário.

O Facebook diz que as pessoas querem compartilhar suas vidas e eles só facilitam.
Sim, é um ótimo argumento. É por isso que a “polícia secreta do século 21″ não tortura nem executa, e sim oferece “doces”. Nos ensinam a gostar disso. Quando eu digo que o Facebook é capaz de prever com quem você terá um caso, não é modo de falar. Em termos técnicos, o Facebook é simplesmente um grande banco de dados. Se dissermos a esse banco de dados: “me dê o log [dado arquivado] de todas as pessoas que checaram algum outro perfil mais de cem vezes hoje”, teremos uma lista de pessoas obcecadas. Mas o site está longe de ser o único – há milhares de bancos de dados na internet.

Mas o Facebook é abertamente sobre exposição…
Toda a internet é sobre exposição. A diferença entre o que você pensa que está publicando e o que está de fato tornando público é na prática muito grande. Praticamente todos os movimentos na rede estão arquivados em algum servidor externo, fora do controle do usuário.

Entrevista porAndrea Murta

Pode parecer talvez um discurso conservador sobre a Internet. Ou não. Reflita! Para conhecer um pouco mais sobre Eben Moglen acesse sua página na wikipédia (versão inglês e português).

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2906201017.htm

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Jun/10

29

Re-open

Há momentos em que é preciso deixar de lado um segundo o caminho trilhado e se propor um novo começo. O difícil, talvez, seja saber quando se permitir isso. Uma decisão dessas deve ser tomada com a perspicácia de um tigre em caça, como diria Saramago em relação às boas idéias. É preciso fingir que não há nada ali, se fazer de despretensioso e só dar o pulo final quando a vítima (nesse caso, a boa idéia) já desistiu de ser caçada.

Assim o fiz. De forma muito menos poética é claro. Esqueci de pagar o domínio e o servidor. Deixei congelarem o domínio e apagarem os dados do servidor. Para mim foi preciso não mais querer aquele passado. Em uma conversa hoje no café do Terra com Ana Brambilla, falava que senti a necessidade de recomeçar para não viver de passado. Um artigo que escrevi na Iniciação Científica fez bom sucesso e pesou em meus ombros. Queria escrever algo a altura sempre. Mas nem sempre é possível. E de tanto querer esse passado acabei não passando no mestrado. Um acontecimento necessário também.

Hoje cá estamos nós. O thalles.blog de volta, com cores mais vivas… confesso que o laranja é para festejar uma contratação que me pôs a sonhar novamente com a comunicação online. Não sei bem o que me aguarda no Terra, mas já tenho isso a agradecer. Esse humilde blog quer ser nada mais do que um blog, tal qual em seus primórdios. Quer ser chamado de weblog – “diário de bordo”. Carinhosamente trazido até o sul pela companheira Emily. Perdido em Porto Alegre, mas começando a encontrar-me dentro de mim.

Os que por aqui passarem já sabem o que encontrarão. E acredito que, os que não sabem e chegaram até o fim do texto, gostarão de voltar para descobrir.

Ainda faltam alguns ajustes no blog: about, rss, links para twitter, facebook e etc… Mas eis o post inaugural como prometido!

Até o próximo!

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Jun/10

26

Em Porto Alegre

Como bom aficionado em séries televisivas (e já adianto que Dexter é minha predileta) vejo a vida em temporadas. Dia desses, fazendo os cáculos enquanto gastava minutos a fio debaixo d’água, me dei conta que minha vida seriada entra em sua quarta temporada. Explico.

Como tudo na vida só começa realmente a partir do momento em que nos propomos a experimentar o mundo por conta própria, aponto o momento em que saí da casa dos meus pais, na pacata e bela cidade de Guarapari (ES) para estudar em Vitória, capital capixaba. Na ocasião não foi lá grandes aventuras: havia passado no vestibular da Ufes, estava indo morar na casa de um tio-avô ao bom estilo Peter Parker de ser. Os primeiros semestres na universidade foram tateados às cegas, mas tudo era muito inusitado e divertido. O mundo era Vitória.

Certo dia me encontrei com um professor que se tornou responsável pelo início da segunda temporada. Fábio Malini me convidou para constituir um grupo de pesquisa em cibercultura no Departamento de Comunicação da Ufes. Me apaixonei por pesquisa acadêmica e iniciei ali dois anos de uma proveitosa temporada. Amizades que ficam, experiências inesquecíveis. O Labic (nome de nosso laboratório) me mostrou que o mundo não era Vitória. Havia muito além: São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Campinas, Natal…

O próximo passo estava marcado e cronometrado. Como um salto preciso, entraria em minha terceira temporada rumo ao mestrado na UFRJ. Havia uma calorosa torcida pelo meu sucesso, que se manifestou com ainda mais vivacidade após o resultado da primeira fase: 9,7 na prova teórica. Revirei todos meus artigos, meu TCC e meus livros para escrever o melhor projeto que conseguisse. Estava deveras confiante. Tão confiante que dessa vez foi preciso uma nova lição: o mundo não é Vitória e as coisas não acontecem segundo meus planos por mais seguros e calculados que eles sejam. Meu mundo caiu, meus amores me seguraram. Junto a essa dolorosa mensagem veio a mais importante lição que havia aprendido com meu já finado tio-avô, mas por acreditar que a força de vontade e o raciocínio podem mover montanhas acabei deixado-a de lado: eu sou muitos. E aqui, já fazendo uma ligeira conexão com uma corrente filosófica deleuziana, diria que “um só já são muitos”. Foi preciso interromper o incessante olhar esquizo para concentrar-me em algo que realmente valesse a pena. Foi preciso, por um instante, ser Zaratustra.

Nesse meio tempo encontrei conforto nunca antes visto em família. O tempo que talvez tenha “perdido” por estar sem objetivo e com os livros encostados, ganhei fortificando minhas bases. Em um bate papo com uma profissional por quem tenho grande admiração, Ana Brambilla, recebi um convite irrecusável, mas que a principio recusei de susto. Ela me convidou para um trabalho temporário no portal Terra, na editoria de mídias sociais. Eis que tem fim a terceira temporada ao dizer “sim, eu aceito o convite”.

A quarta temporada começa assim, num quarto de chão de taco, com uma vista para uma bela árvore verde-amarela de folhas caídas. Começa com algumas lágrimas de pai, mãe e prima-irmã no aeroporto. Com a namorada dizendo “vou com você para te ajudar” e encarando todo o medo de voar que ela tem. Não são muitos os personagens, mas cada um deles já são muitos.

Em tempo: esse foi um post necessário. Gostaria de ter feito um post inaugural anteriormente. Até mesmo cheguei a rabiscar alguma coisa. Mas prefiro pensar que quando a coisa é boa nunca se sabe onde começou, nunca foi pedido para começar. Simplesmente começou. Ainda assim prometo um próximo post mais explicativo com a proposta desse blog. Talvez no fundo eu devesse esse post como inaugural a essas poucas-muitas pessoas. Ou talvez o devesse para mim mesmo.

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Ftwitter_Good_Bad
Photo by Rosaura Ochoa
iz algumas parcas considerações sobre o uso do Twitter como ferramenta de debate político e gostaria de agora levantar algumas questões. Vejo como uma estratégia furada a tara pelo Twitter nos meses que antecedem as eleições. Sei que brasileiro só faz as coisas de última hora, mas comida boa precisa de tempo na panela. Miojo mata a fome, mas viver de miojo pode acabar com seu organismo. Na minha visão, os candidatos que correm para o Twitter em vésperas de eleição estão comendo miojo.

Pode funcionar a curto prazo. Vai gerar mídia espontânea e vão sair bonitos na câmera dizendo “sou twitteiro”. Mas olha, por favor, não dê a loca no primeiro #fail que receber! Em conversas com amigos do ramo costumo dizer: não me peça para aumentar seu page rank, aumentar suas visitas e nem te fazer virar referência. Antes, me peça para ser seu amigo. Depois que me conquistar, peça que te apresente a outras pessoas para que, com SUA conversa possa conquistar as pessoas.

O papel de um bom assessor online é esse. A Internet favorece a voz da minoria. Mas não é porque você é livre para falar para todos. Mas sim porque você pode construir sua própria rede e a partir dela formar opiniões. Vejo alguns trabalhos que estão sendo desenvolvidos como efetivos para daqui quatro anos. Mas o problema é que quando o candidato ver que investiu uma quantia em profissionais de mídias sociais e não ganhou as eleições, ele vai demitir todo mundo para contratar de novo na próxima eleição. Se você pensava em fazer isso, mude de pensamento! Precisamos aprender a pensar no longo prazo. E longo prazo não é 6 meses, mas 4 anos.

Vamos a um exemplo prático: caso Sérgio Xavier prossiga com seu plano de governo colaborativo, a margem de 1% que ele tem será um fator menor. Rogo a vocês: números são relativos. Eu diria: se meu 1% me carregar no braço e forem meus fãs do coração, não quero mais que isso. Leia sobre a atuação de Sérgio Xavier no Terra.

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Jun/10

2

Fala ae, mundão!

A quem já conhecia o Thalles.blog, sinto dizer: ele morreu. Não o Thalles, mas o ponto blog. O que dantes tinha não terá mais. O Thalles continua o mesmo, mas derrubou a casa e fará uma obra nova. E por falar em obra, ESTAMOS EM OBRA!

Volte em breve!

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