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Vigilância e controle na web 2.0
Nenhum comentário | Postado por Thalles W. in Uncategorized
Uma questão que vem sendo muito discutida entre usuários do Facebook é a exposição de privacidade. Tal problemática, como pontua o professor de direito da Universidade de Columbia, Eben Moglen, se estende para toda web. Ter status/reconhecimento na web é sinônimo, em muitos casos, de estar presente em diversas redes sociais com atuação frequente e ininterrupta. Atuar na web é, contudo, cada vez mais doar a si mesmo.
Aproveitando mais uma vez o café de ontem com Ana Brambilla. Falava com a jornalista sobre a minha reestruturação do blog e, ao explicar minha nova proposta eu afirmei: não vejo na web formas efetivas de separar o profissional do pessoal. As coisas acabam se mesclando em menor ou maior grau. Meu blog, portanto, quer trazer esse rosto multiforma à tona. Em outras palavras, meu blog é uma doação de mim (e aqui vale meter um asteristo para recuperar com uma discussão um pouco mais teórica daqui algum tempo) para os infinitos bancos de dados que podem ser acessados a qualquer momento de qualquer lugar.
Colocar fotos do meu passeio com Emily em Porto Alegre no Orkut e no Flickr é doar parte dessa experiência (aqui vale uma leitura em Benjamin e Huyssen) para o que Moglen chama de “polícia secreta da Internet”. Acompanhem a entrevista gentilmente enviada pela amiga e leitora Livia Cunha, do DeCoração Blog:
Folha – Somos nós que estamos nos expondo demais?
Eben Moglen - Não creio. É perfeitamente razoável pensar que o capitalismo do século 21 se baseie na descoberta de uma nova matéria-prima – a informação sobre nossas vidas privadas. O objetivo de sites como o Google é a reorganização da publicidade para favorecer o consumo em estilo americano. Se você sabe o que as pessoas buscam, pode definir sua publicidade por isso. E ferramentas como redes sociais sabem tudo sobre oconsumidor.As redes sociais espionam deliberadamente?
Sim, esse é seu negócio. A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos. É uma péssima troca para o usuário – degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário.O Facebook diz que as pessoas querem compartilhar suas vidas e eles só facilitam.
Sim, é um ótimo argumento. É por isso que a “polícia secreta do século 21″ não tortura nem executa, e sim oferece “doces”. Nos ensinam a gostar disso. Quando eu digo que o Facebook é capaz de prever com quem você terá um caso, não é modo de falar. Em termos técnicos, o Facebook é simplesmente um grande banco de dados. Se dissermos a esse banco de dados: “me dê o log [dado arquivado] de todas as pessoas que checaram algum outro perfil mais de cem vezes hoje”, teremos uma lista de pessoas obcecadas. Mas o site está longe de ser o único – há milhares de bancos de dados na internet.Mas o Facebook é abertamente sobre exposição…
Toda a internet é sobre exposição. A diferença entre o que você pensa que está publicando e o que está de fato tornando público é na prática muito grande. Praticamente todos os movimentos na rede estão arquivados em algum servidor externo, fora do controle do usuário.Entrevista porAndrea Murta
Pode parecer talvez um discurso conservador sobre a Internet. Ou não. Reflita! Para conhecer um pouco mais sobre Eben Moglen acesse sua página na wikipédia (versão inglês e português).



Folha – Somos nós que estamos nos expondo demais?